Lembrando

Posted in Uncategorized on 13 de agosto de 2014 by multicolorido

As vezes penso no seu  trabalho diário. Nas flores secas de outono caídas no chão, naquele clima  frio e seco.

O local sempre cheio de pessoas com fisionomias tristes. No frio, elas se agasalhavam ao nascer do sol, mas suas almas continuavam frias.

Ali estavam acompanhando seus parentes ou passando pelo pior estágio que a vida pode reservar: uma doença repentina.

Passavam sempre por mim no seu trabalho diário. Talvez alguém podia passar e deixar um sorriso disfarçado no ar, não para mim, mas por deixarem suas memórias serem mais fortes naquele momento de dor.

 

 

 

Sorriam para seus momentos de glória em meio ao caos que estavam vivendo. Pois haviam pessoas que deixavam exaltar-se pela alegria para combater a dor de frente, sem reservas.  Essas nem pareciam estar em um hospital, algumas delas pareciam nem sem impostar com a dor.

Entre outras haviam as crianças, essas sempre me chamaram a atenção.

Pois a doçura da infância impedia de tirar dos seus olhos a esperança de crescer, mesmo com a chegada de uma doença grave.

Entre os pacientes estavam os de branco. Eles passavam sempre rápido com alguma coisa nas mãos e sempre haviam que responder às solicitações dos pacientes ou acompanhantes. Apesar do trabalho duro, em sua maioria estavam com um sorriso no rosto, como se aquele fosse o melhor lugar onde poderiam estar para trabalhar.

E havia ela, que me puxava pelo braço e me levava aos cantos mais inusitados  daquele hospital: quartos dos pacientes, ala de crianças com câncer, fila de medicamentos, arquivos, e tantos outros. Ela sempre me apresentava com orgulho e as pessoas notavam nossa semelhança.

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Alice e o Amor

Posted in educação, família, nação, relacionamento on 24 de julho de 2011 by multicolorido

Carregada de bons pressentimentos, Alice desfilava por aquela nova cidade. Ela já estava cansada de passar por tantos lugares.

Seu cálculo egoísta expandido ao extremo lhe mostrava estatisticamente todos os fatores que podiam acrescentar ou diminuir na sua nova estadia e, particularmente os possíveis efeitos na sua dor de cabeça. Afinal de conta, tudo de insano e inesperado podia acontecer com ela mas não estava disposta a isso. E a pobre Alice resultava num transtorno dos processos racionais de auto-conservação. Isto é, aquilo que lhe parecia racional nada mais era que a clareza de sua irracionalidade. E toda essa racionalidade/irracionalidade a deixava leve e sem culpa, afinal, eram forças psicológicas contrárias demais para Alice gerar esforços para contê-los, ela apenas os deixavam em evidência.

E no andar de Alice já se notava suas expectativas.

Apesar de suas contradições e sua saturação em estar ali, ela sentia prazer de estar longe de casa. As coisas novas, antes nunca vistas, já nem eram tão interessantes. Era a distância que a deixava em estado de êxtase, que a fazia recuperar a velha Alice já esquecida sair da caixinha de recordações. O medo de não ser lembrada, a ansiedades, lixos interiores, seus problemas, suas incompletudes e incompreensões… Tudo isso já não a preocupava mais. Lá estava vivendo aqueles dias como se aquele lugar fizesse parte da sua vida, dos seus sonhos e projetos.

 Mas de fato era algo passageiro que a preenchia. E ela foi dando valor a cada descoberta, a cada passeio, em cada nova pessoa que conhecia. Mesmo sabendo que tudo aquilo seria arrancado dela, sem dó e piedade pelo tempo e a distância.

E aos poucos aquilo que parecia impossível foi se concretizando. As mãos se encontravam, os ombros se encaixaram, sem pressa para demonstrar ela foi vivendo o amor. E foi como se o amor já tivesse fazendo parte dela há tempos. Nada de invasão, nada de surpresas. Era um amor já presente, incendiável amor, o amor que habitava nela desde sempre.

E este amor se doou, estendeu os braços para a nova descoberta. E o amor quebrou a cara. Sim, porque era tudo diferente, nem melhor nem pior, diferente. E ele não sabia que amando haviam choque, discordâncias. Talvez isso deixava  relação mais conflituosa, mais irritante, rodeado de desejos subtendidos do outro ser aquilo que não era. E a forçada aceitação mútua tornava esse amor fugaz mais tênue, sendo semeado em sua essência. Foi necessário muita conversa desnecessária para o amor entender que precisava estar dentro de Aline vivendo com ela, compartilhando o que  havia de bom na relação.

E quando tudo estava em harmonia , lá se vai Aline para sua terra natal, á quatro paredes com solidão.

Talvez ela não encontrasse mais o amor. Esse amor assim tão particular. Se foi para talvez não voltar, voltar para o amor.

Continuação –

Posted in atletismo, educação, família, relacionamento on 20 de julho de 2011 by multicolorido

Em 1999 comecei a estudar no Mackenzie. Apesar de ter uma estrutura diferente, a única coisa que me preocupava eram minhas notas. Bolsista tem que ter boas notas e se não tiver perde a bolsa, eu pensava. Essa minha preocupação me fez estudar mais e ter boas notas. Passei a ter o hábito de estudar, conciliando com meus treinamentos.

Percebi a diferença entre a escola pública e a particular. No Mackenzie, eu tinha um maior acesso aos bens culturais e ao analisar a grande oportunidade que ganhei, tentei aproveitá-la ao máximo. Gostava de freqüentar a biblioteca, fazer natação, canto e coral. Das aulas de ciências e de português. Porém sentia falta de algo novo na aula de matemática, e não me interessava muito. Era muito sistemático e me sentia presa aos cálculos.
O meu ensino médio cursado ainda no Mackenzie me trouxe vivências únicas. Nessa época comecei a me interessar por livros de história brasileira e mundial, lingüística e sociedade. Encantava-me estudar a ditadura, a semana da arte Moderna, as revoluções que ocorriam na história do mundo. Mas uma grande questão me intrigava, qual curso vou escolher para o vestibular?

No último ano do Ensino Médio, minha turma fez uma viagem para conhecer a Universidade Mackenzie em São Paulo. Quando fomos a Tamboré, campus da Educação Física e outros cursos da saúde, fiquei surpresa com a estrutura oferecida. Conversei com o responsável pelas bolsas de estudos, e ele me garantiu que era só prestar o vestibular e passar que minha bolsa total estaria garantida. Voltei da viagem cheia de sonhos, queria fazer Educação Física em Tamboré. Mas minha família não tinha a renda necessária para me manter em outra cidade. A Universidade não possuía casa de estudantes, muito menos um apoio em dinheiro para atletas. Então ficou difícil continuar sonhando em ir para São Paulo.

Em Brasília, não queria fazer Educação Física. Na UnB o curso era diurno, o que dificultaria bastante meus treinamentos. Eu só podia pensar na UnB, pois não cogitava a idéia de pagar minha faculdade. A UPIS me ofereceu bolsa de estudos também, mas não me interessei em fazer Administração, Direito, Turismo, Contabilidade…

Eu gostava mesmo de algo que envolvia a sociedade, suas necessidades mais intrínsecas, como cidadania e educação. Eu queria ser útil sem me fechar em uma sala de escritório, ter a oportunidade de mudar alguma coisa na minha cidade e ser um meio de alguém alcançar uma vida mais digna. Estava quase me decidindo por Serviço Social quando em 2004, conheci algumas pedagogas, principalmente da família do meu ex-namorado.
A mãe dele, que mora em São Paulo me explicou sobre a área, contou histórias e experiências. Eu pensava que os pedagogos só trabalhavam com crianças na educação infantil e anos iniciais. Mas ela administrava todas as escolas de São Bernardo, Santo André e Diadema, desenvolvia projetos e ainda supervisionava. Comecei a ter outro olhar sobre o curso, suas áreas e possibilidades pessoais de atuação.

Na inscrição do PAS, optei por Pedagogia noturno. Foi assim mesmo, decidi na hora. Meu ex-namorado falou que o assistente social sofria muito na sua profissão mas que o pedagogo exercia um trabalho parecido, só que mais prazeroso. Fiz uma escolha que me gerou muitos frutos, e que até hoje me sinto realizada em ter feito. Ainda penso em fazer Nutrição, porque também tenho me apaixonado por essa área e por estar mais inserida nela. Mas Pedagogia foi onde eu me encontrei. E o mais importante para mim: é onde vejo os sonhos de Deus sendo realizados na minha vida. Isso realmente me faz completa.

Memórias da infância

Posted in atletismo, educação, família, relacionamento with tags , , , , , , , on 27 de junho de 2011 by multicolorido

 (1988- 2001)

Carnaval de 1988. Lá fora, um som alegre que durou a noite toda. Dentro da maternidade, um parto cesariano difícil se realizava. Em meio a sambas, fanfarras e marchinhas, ouviram meu primeiro choro. Foi na hora certa, disse o médico, ao explicar que se eu tivesse nascido de parto normal e um tempo depois, não teria sobrevivido com duas voltas do cordão umbilical presos ao pescoço. Minha mãe, teimosa, decidiu ter mais uma filha mesmo com a reprovação do médico, que já havia dito que seria uma gravidez de risco caso ocorresse. Ela era cardiopata e um ano anterior teve um aborto espontâneo, o que complicaria bastante minha gestação e nascimento.

Mas como ela fala, era pra eu nascer mesmo. Fui amamentada em apenas seis meses, e com nove minha mãe foi para São Paulo fazer uma cirurgia para troca de válvula mitral. Enquanto durava sua recuperação, fiquei com minha tia Marisa, irmã da minha mãe. Com minha tia Marisa e minha mãe dei meus primeiros passos. Passos que depois de muitas quedas me deram uma base firme para continuar minha vida.

Desde pequena sempre fui muito ativa e inquieta. Gostava de subir todos os muros, janelas e árvores que encontrava. Aprendi a andar de bicicleta muito rápido, gostava de correr e brincar muito na rua. Mas meu brinquedo favorito era a boneca Barbie. Cada dia uma situação diferente eu inventada com minha colega Fabiana. Profissões, lugares e estilos de vida entravam em nossas brincadeiras e em nossa imaginação.

Morava duas ruas acima da feira do P.Sul, Ceilandia. Meus pais tinham uma banca de roupa, e todo final de semana trabalhavam lá. Minha mãe era concursada do Ministério da Saúde, e trabalhava durante a semana no Hospital Universitário de Brasília- HuB, e meu pai, é policial militar. Eu e meu irmão, três anos mais velho, tínhamos que ficar em casa para não atrapalhar as vendas, mas sempre que podia eu corria para a feira. Gostava de ver o movimento, as pessoas gritando e a variedade de coisas vendidas naquele local. Era galinha caipira, mandioca, churrasco, milho verde, roupas de todo tipo, frutas e verduras. Geralmente eu não podia ficar na feira, só passava por ela, mas sempre tinha alguma coisa interessante para ver.

Enquanto meus pais trabalhavam, eu ficava no Jardim de Infância da 404 Norte. Acordava cedo, 7 horas estava na parada de ônibus. Minha escola era excelente, com cadeiras, mesas e banheiros adaptados para criança. Mas para mim tudo era gingante: o parque, o pátio, as salas e os jardins. Não me recordo o que e como aprendi no jardim de infância, mas o que me lembro bem é que sempre tinha muitas brincadeiras.

Minha mãe fazia curso de salgados e pães no SESC, em Taguatinga. Muitas vezes eu e meu irmão a acompanhávamos em seu curso. Eu observava de longe minha mãe juntar ingredientes, bater a massa do pão e fazer os molhos. Aos poucos aprendia e quando chegava em casa sempre tinha uma experiência nova! Para mim, o peso era medido em copos, em colheres, em xícaras e em potes da cozinha. Não importavam as gramas, mal sabia a diferença entre mililitro e miligrama. Sabia que para fazer a receita do pão eram necessários alguns ovos, algumas colheres de manteiga, alguns copos de leite e um pacote de farinha de trigo. Para mim isso bastava. Inicialmente ajudava a minha mãe a enrolar as coxinhas, abrir a massa, separar os salgados. Mas com o tempo, eu já separava a medida do leite, a medida da farinha, a quantidade certa de ovos, o óleo que seria usado, dente outros. Me divertia enquanto ajudava minha mãe a fazer salgados e pães. Ela sempre me fez enxergar a vida com olhos de simplicidade.

Além de me ensinar a fazer pães e salgados, minha mãe me ensinou muito além, e que talvez não caberia neste memorial. No que se refere a educação, desde pequena ela me influenciou muito. Cada pessoa que passava na rua vendendo livros ela comprava. Dicionários, enciclopédias, manuais, livros didáticos, literatura clássica, contos, literatura infantil… Ela comprava e formava uma espécie de biblioteca em nossa casa. Para ela não importava se iríamos ler agora ou depois, mas o fato de tê-los disponíveis e ensinar para a gente que a leitura era importante para nossa vida era que realmente importava. E dava certo, pois eu e meu irmãos nos apegávamos aqueles livros, e mesmo sem saber ler as palavras, líamos as figuras. E com o passar do tempo, íamos aprendendo a ler as palavras e então podíamos compreender o que estava escrito nos livros.

Meu ensino fundamental I, cursei na Escola Classe 405 norte. Meus pais decidiram se mudar para São Sebastião, apesar da minha mãe achar que nós estávamos regredindo. Nossa casa agora era maior mas ainda estava sendo erguida. Era terra, poeira e material de construção para todos os lados. Como se tivéssemos começado do zero novamente. Nessa época, comecei a fazer atletismo com meu pai.

A pista de atletismo em que eu treinava não era oficial, de 400 metros, então, uma vez por mês tínhamos que refazer as medidas para o treinamento. Meu pai levava a trena e me ensinava o que fazer para ajudá-lo. Eu segurava e desenrolava a trena, enquanto ele dizia os metros e conferia se a medida estava correta. Depois de saber as medidas exatas do comprimento total da pista, medíamos também as retas, curvas e o campo de futebol que havia no meio dela. Todas as marcações seriam utilizadas para os treinamentos. Ao trabalhar com medidas de comprimento e tempo, sabia exatamente qual seria um tempo bom para correr nas retas de 100 metros, para os 200 metros e 400 metros. E todo mês medíamos com o carro e ainda corríamos distâncias mais longas na rua, de 1.000 a 3.000 metros.

Meu pai não era formado em Educação Física, mas tinha um conhecimento na área. Quando morávamos no P. Sul, eu e meu irmão pertencíamos a um clube e tínhamos treinador. Mas em São Sebastião, as coisas mudaram bastante. Além de readaptarmos os locais de treinamento, tínhamos que treinar sozinhos. Mas isso durou pouco tempo, pois as crianças da rua nos viam correndo e se interessavam pela corrida. Meu pai conversava com elas e as influenciavam para a prática desportiva. Em pouco tempo de 10 a 15 crianças se reuniam todos os dias para serem treinados pelo meu pai. Os treinamentos eram levados a sério, e participávamos quase todo mês de corridas mirins. Era uma festa! Medalhas, troféus e bicicletas ganhávamos nas competições e ninguém saia de mãos vazias.

Não tínhamos apoio algum, mas nos esforçávamos muito para sermos campeões. E com a turma grande treinando, tudo era mais divertido. Com 9 anos ganhei meu primeiro cronômetro. O tempo que antes era monitorado pelo meu pai, agora é conferido por mim. Ele anotava tudo em seu caderno e mostrava-nos se nossos tempos estavam melhores.

Eu tinha muitos resultados bons e na maioria das corridas mirins que participava, ganhava e subia ao pódio. Com tantas fotos, troféus e bons resultados, meu pai montou um portfólio para tentar uma bolsa de estudos em uma escola particular. Tive que estudar muito para tentar passar nas provas do Colégio Militar e Santa Rosa. Não passei no Colégio Militar e não me deram bolsa de estudos no colégio Santa Rosa. Meu pai então foi a Escola Presbiteriana e Colégio Mackenzie. Gostaram do meu currículo, passei na prova e ganhei 100% na bolsa de estudos.

Mito da Dança

Posted in Uncategorized on 22 de junho de 2011 by multicolorido

Mito da dança
No princípio de tudo, havia um grande rio que fluía sobre toda a superfície da terra. E apenas o que a povoava eram três espíritos que dançavam sobre as águas cuja intimidade entre eles eram tão profunda que se fundiam e se tornavam um – Ashalan.

Não havia, sol e muito menos estações. A escuridão preenchia as águas e os ventos recortavam a profundidade do grande oceano.
Apesar de suas particularidades, os três espíritos habitavam o grande oceano num estado de prazer e inconcebível felicidade quando os movimentos de seus corpos transfigurados fluiam livremente pelas águas, ritmicamente e em harmonia com o ambiente. Até que os espíritos, sentiram falta de alguém a mais para projetarem e até mesmo compartilharem o fluxo de sentimentos liberados nos seus movimentos da dança.
Os espíritos então decidiram criar juntos um novo ambiente para habitarem suas novas criaturas, afim de dançarem juntos em meio a adoração rendida a eles. Foi ai que os deuses cobriram parte da superfície das águas com uma terra vermelha e fez gerar toda sorte de seres vivos para os adorarem.

Depois de criar o ambiente desejado, criou as autoridades e depois o homem. E os espíritos ordenaram ao homem: movimentem-se para nós, os espíritos do princípio. E o movimento do homem gerava o parto das demais criaturas. Cada movimento de dança liberado, era criado algo novo em seu ambiente. A habitação dos espíritos (Ashalan) passou a cobrir toda a terra, exceto ás criaturas, pois elas refletiam e carregavam a glória deles. Desta forma, separados os corpos das criaturas e das autoridades, eles podiam enfim dançarem juntos.

Os espíritos (Ashalan) e as autoridades então entravam em contato com os humanos quando eram solicitados ou convidados para participarem de suas festas. Quando isso ocorria, os humanos eram tomados pelos espíritos, oferecendo-lhes danças proféticas, embriagados pelo êxtase da dança.
Mas com o passar do tempo os homens percebam que eles não precisavam mais dos espíritos podendo realizar seus desejos sem a ajuda deles. A dança foi substituída, os ritmos, os sons. Alguns não sentiram a falta dos espíritos, outros adoeciam pela distancia deles. O tempo se passou até que eles se esqueceram das suas origens, e estabeleceram suas próprias leis.

Construíram suas cidades e habitações, seu mundo de acordo com seus desejos mais infames. Um terço das autoridades também já não estava satisfeitas pois eram pouco solicitadas pelos humanos, então guerrearam entre si para obter poder semelhante a Ashalan.

O mito da reconstrução, ou o círculo do mundo.

Posted in Uncategorized on 4 de maio de 2011 by multicolorido

Em um mundo destruído por uma guerra entre as autoridades maiores, Yeshurhá se veste com o que encontrou pela desolada e antiga cidade de Èsepê. E meio a ferrugens e destroços, encontra um pano que um dia foi branco e encobre seu corpo nu, com as marcas da guerra. A selvagem floresta de pedras tornou-se um grande túmulo onde os últimos sobreviventes enterravam seus familiares. Èsepê era uma pequena cidade se comparada ao mundo espiritual e grande se comparada às cidades de hoje, porém num mundo anterior ao nosso, de muitas formas semelhantes que deram a origem ao humano de hoje. Não havia nações diferentes, apenas cidade próximas da grande Èsepê.
A cidade era enorme – seu território alcançava aproximadamente 500 quilômetros quadrados de grandes construções humanas e rodeados por extensões verdes, rochedos, planícies e desertos, lugares desolados e de difícil acesso. Mas agora pouco se restou da grande cidade Èsepê, eram apenas destroços daquela história trágica. O único lugar que se manteve intacto foi no círculo da árvore da vida, que antes era como uma árvore comum, mas na cidade cinzenta tornou-se notável.
Dentre corpos espalhados, estava ela, Shuya, o primeiro e único amor de Yeshurhá, a quem decidiu fazer a promessa de permanecer vivo ao criar um pacto com as autoridades maiores, a quem detinha o poder de dar vida aos homens. As autoridades eram divindades quem foi dado poder por Ashalan (Rainha, mãe fundadora) de estabelecer governo sobre as cidades, de forma presente, porém notável apenas àqueles que possuíam dotes espirituais. Mesmo estes poucos humanos bem dotados, era difícil o acesso a este mundo invisível das autoridades. O que eles conseguiam alcançar com seus sonhos, visões e possessões, tornava uma pequena ou uma meia-verdade em distantes ecos da realidade espiritual. Por mais que estes bem dotados, espiritualmente falando, fossem ótimos profetas ou líderes espirituais, o que eles alcançavam era uma visão pequena e obscura da grande e profunda realidade do mundo espiritual das autoridades.
E lá estava ele, Yeshurhá, distante de ser um profeta, transvestido de arrependimento por não ter alcançado a graça dessas autoridades a fim de também de conceder a sua amada o fôlego da vida naquela sua nova jornada que ele mal sabia por onde começar. Entre os destroços, encontrava entes queridos e sua dor foi sufocante. Desejava ao menos ter alguém do seu lado para se enveredar pelas ruínas e encontrar um sentido para seu caminhar. Mal sabia ele que aqueles corpos eram meros detritos humanos cujo valor era pequeno em vista do seu inestimável homem interior, estes todos, que após a morte na guerra entre as autoridades, foram levados à mundos próximos destinados pelas escolhas pessoais terrestres.
Em Èsepê os sobreviventes eram por volta de míseros 7 em número total, apenas aqueles que antes da sua morte se lembraram das autoridades e clamaram pela continuidade da raça humana. Estes foram separados dos demais por uma escolha anterior de Ashalan e destinados a reconstrução do mundo novo.
Eles foram ouvidos para dar continuidade e reunidos em Èsepê pelas autoridades. Nenhum deles havia sido um líder espiritual, profeta, ou coisa parecida. Mas como todo humano, não poderia viver sem essa realidade invisível, por mais que nunca havia alcançado algo palpável dela, ao menos cognoscível. Então Ashalan se comoveu da falta de intimidade dos humanos para com as autoridades, mas principalmente a falta de intimidade com Ela. O mundo que Ela havia criado se tornou fruto da ganância de um terço das autoridades e havia se tornado desolado, pela guerra entre todas as autoridades. Os humanos então estavam tão distantes que mal conseguiam enxergar e entender as causas da desolação.
Yeshurhá era um deles, que antes tinha uma vida tranqüila, mas que agora havia de tornar-se um guerreiro para reconstruir sua vida nos destroços. Era um novo começar do terceiro Adão, que se estabeleceria em Èsepê com uma memória e resquícios do velho mundo. Mas Yeshurhá precisava ser reconstruído, afim de não apegar-se ao passado como escape de suas dores ou como prazeres menores em meio a luta, mas viver o presente com mais força e garra na reconstrução do seu “eu”. Era necessária uma seleção de fatos em sua memória que davam força, assim como a eliminação de fatos que o tornava um saudosista deprimido.
Na saga de Yeshurhá pela reconstrução de Èsepê, do seu “eu”, na luta pelo esquecimento de Shuya e de seus familiares enterrados por ele, continuava dia após dia caminhando pela cidade Èsepê. Em sua caminhada, Yeshurhá encontra com os outros 6 sobreviventes na árvore da vida, que por algum motivo foram atraídos até lá, como uma coincidência. O primeiro contato humano foi recebido com um misto de estranhamento e alívio. Mas logo foram surpreendidos pela descida triunfal de Ashalan, seu poder podia ser sentido nos mundos próximos. Aterrorizados, pensaram que seria fulminados pelos grandes olhos de fogo da grande-mãe. Então eles puderam ouvir sua voz como de muitas águas dizer: – “dancem pela reconstrução de Èsepê. Vocês são meus filhos amados a quem eu os destinei para gerarem uma nação, cuja lei desenharei em seus corações para fazermos juntos o novo mundo baseado na nossa intimidade”.
Yeshurhá, tímido e desengonçado, começou a movimentar-se em passos leves e sem ritmos. Mas aquela era sua dança para Ashalan, sem saber o que viria pela frente. Os outros seis também se movimentavam, alguns pareciam já ter uma relação íntima coma dança. Yeshurhá pôde ter então naquele momento, o êxtase e a alegria que nem mesmo antes da destruição de Èsepê ele experimentou. Suas lembranças foram se dissolvendo no prazer que o envolvia na dança, assim, tornava-se mais solto em seus movimentos e brotava em seu ser um desejo de se conhecer Ashalan e de se relacionar com Ela. Através de passos de samba, jazz, zouk, kuduro, entre outros, foram gerando juntos, os 7 humanos, Ashalan, e os dois terços que restaram das autoridades, o novo mundo. Por fim, os 7 humanos foram sacrificados, mortos pelo fogo consumidor de Ashalan afim de serem elevados a posição das autoridades. Ashalan assentou-os em sua mesa, ao lado de seu trono em seu tabernáculo, dando a eles uma vida de êxtase que nunca acaba. No novo mundo foi gerado também em meio a danças, o quarto Adão que habitava em redor da árvore da vida e conversava diariamente com Ashalan, os 7 humanos ascendidos e as autoridades.

Colômbia es pasion!

Posted in nação, relacionamento with tags , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2011 by multicolorido

Começa hoje a minha nova jornada, com sensaçao de inìcio de minisèrie. Aquele gostinho de novidade, expectativas e ar de mudança. Coisas novas e lugares desconhecidos: muita expectativa. Jà no aeroporto às 6:30 da manha antes de pegar o vôo para Guarulhos  ainda estava com sono e nao me dei conta que estava indo ficar 2 meses fora.  E naquela correria tìpica de aeroporto comecei a pensar como seria voltar a Colombia e como seria conhecer a cidade Pereira. Fui trocar o dinheiro no Cambia e na fila (enorme por sinal) estava um cara que puxou assunto comigo. Aproveitei a oportunidade para conversar com ele, porque parecia indiano. Mas me enganei, era Venezuelano. Ele me falou do sensacionalismo dos telejornais brasileiros e sua insistencia  em manter uma notìcia por muito tempo sobre a mesma coisa. Ele me explicou que na Venezuela è proibido isso, quando nao se sabe muito sobre o caso ou a  policia\ justiça està resolvendo.  Mostram algumas coisas mas nada de crimes e casos mal-resolvidos, apenas para mostrar a foto de algum procurado jà julgado.

 Depois disso là estava eu em Guarulhos, e sò deu tempo de passar no Duty Free (livre de impostos). Pela primeira vez achei os preços mais em conta, como por exemplo, Victoria Secrets apenas USD 2, 00 mais caro que o preço vendido nos EUA.

Enquanto isso planejava a viagem em meus pensamentos…

E em meio a pensamentos bons começei a sentir apreensao.  E antes de ter medo pensei – para pensar no que poderia acontecer, melhor viver e nao sofrer por antecedência! Pensei isso enquanto minha barriga gelava em pensar que algo pudesse dar errado. Coisas que nunca aconteceram na minha vida atè entao, mas que eu nao estaria livre da ocorrência para uma estrangeira sem passaporte, sem seguro de viagem, convênio mèdico. Mas pra que td isso mesmo hein? rs. Mas essa apreensao foi gerada pelo fato de minha ida a Colombia ser feita apenas com o RG.

Atè hoje acho estranho ir a outro paìs, mesmo que na amêrica do Sul (menos Venezuela) sem passaporte. Entao apra mim, desde a minha passagem pela Policia Federal em Guarulhos atè a emigraçao em Bogotà eu estava insegura.  Ainda mais que as pessoas ficavam me perguntando  – Como è possìvel, nao entendo como  è permitido ficar na Colombia sem visto e sem passporte? Maldita falta de informaçao. E mesmo insegura eu explicava que o Brasil possuia um acordo com a Colombia e vice-versa. Mesmo tendo ligado uma semana antes  na Embaixada da Colômbia no Brasil  para me certificar que poderia mesmo fazer isso ainda ficava com esse friozinho no barriga, mas pelo visto eu nao era a unica que nao possuia essa insegurança. Bendito acordo diplomàtico! Facilitando nossas vidas…

E là estava eu arrannhando meu portuñol e inglês, diga là de passagem. Um cara veio falar comigo e tive que fazê-lo, claro, de maneira pouco compreensível. Só o fiz pq ele era simpático, rs.

Em Bogotà sò deu tempo de despachar a minha linda bagagem com escesso de peso e jà tomar aquele tìpico cafè colombiano.

 Um friozinho de 13 graus meu deu uma sensaçao maravilhosa! E ràpido assim cheguei em Pereira, falando -¿còmo? para todas as pessoas depois que Julieta me ensinou (ou seria Carol y Daniel?) Daqui a pouco vou estar falando nononononononononnonononnononononononononononononononoooooooooooooooooo

 Mas ainda nao tive essa oportunidade!

Quando cheiguei em Pereira fui muito bem recebida primeiramente por El Oso poderoso e por toda a linda familia de Alejandro.

(El viaducto de Pereira) 

Mostrei as fotos que tiramos na chàcara a eles e me dei conta que  misturei os regalos* no meio da viagem.  

Un abrazo fuerte a todos! 

E no proximo post – Nada de português espero.