Alice e o Amor

Carregada de bons pressentimentos, Alice desfilava por aquela nova cidade. Ela já estava cansada de passar por tantos lugares.

Seu cálculo egoísta expandido ao extremo lhe mostrava estatisticamente todos os fatores que podiam acrescentar ou diminuir na sua nova estadia e, particularmente os possíveis efeitos na sua dor de cabeça. Afinal de conta, tudo de insano e inesperado podia acontecer com ela mas não estava disposta a isso. E a pobre Alice resultava num transtorno dos processos racionais de auto-conservação. Isto é, aquilo que lhe parecia racional nada mais era que a clareza de sua irracionalidade. E toda essa racionalidade/irracionalidade a deixava leve e sem culpa, afinal, eram forças psicológicas contrárias demais para Alice gerar esforços para contê-los, ela apenas os deixavam em evidência.

E no andar de Alice já se notava suas expectativas.

Apesar de suas contradições e sua saturação em estar ali, ela sentia prazer de estar longe de casa. As coisas novas, antes nunca vistas, já nem eram tão interessantes. Era a distância que a deixava em estado de êxtase, que a fazia recuperar a velha Alice já esquecida sair da caixinha de recordações. O medo de não ser lembrada, a ansiedades, lixos interiores, seus problemas, suas incompletudes e incompreensões… Tudo isso já não a preocupava mais. Lá estava vivendo aqueles dias como se aquele lugar fizesse parte da sua vida, dos seus sonhos e projetos.

 Mas de fato era algo passageiro que a preenchia. E ela foi dando valor a cada descoberta, a cada passeio, em cada nova pessoa que conhecia. Mesmo sabendo que tudo aquilo seria arrancado dela, sem dó e piedade pelo tempo e a distância.

E aos poucos aquilo que parecia impossível foi se concretizando. As mãos se encontravam, os ombros se encaixaram, sem pressa para demonstrar ela foi vivendo o amor. E foi como se o amor já tivesse fazendo parte dela há tempos. Nada de invasão, nada de surpresas. Era um amor já presente, incendiável amor, o amor que habitava nela desde sempre.

E este amor se doou, estendeu os braços para a nova descoberta. E o amor quebrou a cara. Sim, porque era tudo diferente, nem melhor nem pior, diferente. E ele não sabia que amando haviam choque, discordâncias. Talvez isso deixava  relação mais conflituosa, mais irritante, rodeado de desejos subtendidos do outro ser aquilo que não era. E a forçada aceitação mútua tornava esse amor fugaz mais tênue, sendo semeado em sua essência. Foi necessário muita conversa desnecessária para o amor entender que precisava estar dentro de Aline vivendo com ela, compartilhando o que  havia de bom na relação.

E quando tudo estava em harmonia , lá se vai Aline para sua terra natal, á quatro paredes com solidão.

Talvez ela não encontrasse mais o amor. Esse amor assim tão particular. Se foi para talvez não voltar, voltar para o amor.

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